sábado, 20 de junho de 2015

O CINEMA EM CASA



Sempre fui contra a deturpação de filmes, seja a colorização seja a dublagem. Hoje a dublagem virou moda. Na Europa isto é comum. Mas lá existe espaços para cópias originais. Aqui é um saco de gatos. E os filmes que eu quero ver (felizmente são poucos) chegam com falas estranhas e espero que cheguem para download ou dvd & bluray. Nos idos de 50, por exemplo, eu ia a cinema mais vezes que os dias do ano. Não havia TV e o recurso do cinemaniaco (é o nome, não apenas cinéfilo) era buscar seu vicio nas telas grandes. Via de tudo. Quando comecei a ler sobre cinema encontrei apenas a técnica. Historia já tinha provado. E como passava filmes (película 16mm)em casa, conhecia o que se filmou antes de meu tempo de vida. Este ano, 2015, ainda não fui 50 vezes a cinema.
Queria ver, por exemplo, “A Espiã que Sabia de Menos”. Mas a dublagem dominou as sessões da tarde. E não vou às da noite por vários motivos.
Bem, do que vi só gostei de “Mad Max” o novo filme da franquia. Gostei pela edição vertiginosa. Planos ligeiros e próximos desfilaram com velocidade. No meu cinema caseiro tenho contato com as mostras europeias das salas especiais. O futebol esteve em “Diamantes Negros” e “O Sol Em Mim”. O primeiro não biografa o brasileiro Leônidas da Silva(apelidado de “Diamante Negro”). Trata de dois africanos que tentam futebol profissional na Espanha e ganham a dor da experiência. Um regressa à terra natal, outro chega a ser preso antes de voltar a um campo. Bom tratamento de um diretor espanhol. O outro filme focaliza dois garotos, um africano e um italiano que também querem jogar futebol com adultos. Ambos percebem que é muito cedo para isso. Voltam a pé para casa. Paralelamente mostra-se a agonia de dois africanos que se metem no bagageiro de um avião e encontram a morte. Caso real.O filme não consegue convencer mas prega um toque humano extremamente valido. Hoje isso é raro.
 “O Amante da Rainha “é o cinema dinamarquês sem Lars Von Triers”. Prefiro o cinema longe desse diretor que acho um rebelde sem causa. Boa narração conta um episódio histórico digno dos livros de Max Du Veuzit ou Michel Zevaco. Boa direção de arte e pelo menos um excelente desempenho(de Mikell Boe Folsgaard) vela e melhor expectativa. Vi ainda “Samba” com o ator e o diretor de “Intocáveis” Omar Sy e Olivier Nakache, que não sambou como aquele filme. Mas consegue que se o acompanhe com interesse dado o emprenho do elenco na historia de um imigrante ilegal na França. A exibição foi na mostra Varilux.(Pedro Veriano)

"VAMPIROS DE ALMAS" EM BLU-RAY


Foi lançado em Blu-ray o filme “Vampiros de Almas”(Invasion of Body Snatchers)de Don Siegel, um dos marcos da ficção-cientifica dos anos 50/60. Em caixa atrativa o lançamento contou com o bônus de um dvd com dois filmes pouco conhecidos: “O Invasor Galactico”e “Eles Vieram do Espaço Sideral”. O segundo, da Amicus, empresa inglesa rival da Hammer em filmes de terror, tinha Freddie Francis na fotografia e direção – o que exprimia certa qualidade. Mas o primeiro, de um senhor chamado Don Dohler, me fez rir como poucas comédias. Imaginem um campo-e-contra-campo com uma só câmera pesada. Imaginem atores amadores exigindo posturas trágicas. Imaginem efeitos especiais de apenas luzes e alguma animação.
Mas tudo isso é pinto para a permitividade da narrativa, uma das muitas historias de ets chegados em campos com más intenções e posturas de animais. Um desse ets ganharia em escola de samba. O filme é hilário da primeira a ultima sequencia.Pensei em nos, amadores da época em que ele foi feito. Filmávamos em 16mm ou Super 8mm com filme positivo e edição na marra. E dava certo. Faziamos o que nos era possível fazer. Hoje, comparando com essa coisa, fiquei orgulhoso de meu passado de câmera na mão. Pelo menos quando podia fazer rir não era para gargalhadas continuas. A comédia era outra. (Pedro Veriano)

"MAD MAX"



O norte-americano chama "machine gun cut" a edição de filme repleta de planos próximos e de rápida apresentação na tela. Uma metralhadora de imagens. Em "Mad Max Estrada da Furia" há disso.Muito disso. São quase duas horas de planos diversos que passam correndo, uns sobre os outros, detalhando uma viagem pelo deserto australiano de mocinha perseguida por bandidos. Ela ganha o nome de Furiosa, e é um adjetivo a mais para Charlize Theron, atriz que no inicio de carreira viveu uma mineira (não nascida no Brasil mas uma empregada no embrutecido meio de mineiros do norte dos EUA) no "Terra Fria" de Nick Caro. Ali a moça era conhecida por Monstro. Aqui, numa corrida australiana, por Furiosa. Se ela for fazer uma de nossas neochanchadas saiam da frente.
O filme dirigido pelo sessentão George Miller é um moto-continuo e se salienta por isso. Vendo-o em 3D sente-se pedaços dos carros voando por sobre as cabeças dos espectadores, O fino para cinema-espetáculo. Mas, felizmente, deixa se pensar em substancia. Não só o poder feminino (mulher dá leite e criança para os neo-trogloditas do futuro) . Pugna-se pela luta por espaços adquiridos e o herói se mistura na multidão quando podia ser ovacionado. Populismo mais aberto, sem frescuras de panfletos pretéritos.Vale espiar.(Pedro Veriano)

"O BALÃO BRANCO" NO CC ALEXANDRINO MOREIRA

CINECLUBE DA ACCPA APRESENTA :


"O Balão Branco"(1995) 
Direção:Jafar Panahi
Sinopse : Razieh é uma garotinha de sete anos que insiste que sua mãe lhe compre um outro peixinho dourado para a celebração do ano-novo iraniano. Apesar de a família estar sem dinheiro, Razieh acaba conseguindo a quantia para comprar o peixinho com a ajuda de seu irmão. Só que a caminho da loja, ela perde o dinheiro duas vezes, e então os dois irmãos não medem esforços para recuperá-lo, saindo pelas ruas de Teerã. Sessão às 19h. Entrada franca e debate após a exibição.

Local : Cineclube Alexandrino Moreira (Casa das Artes)
Data : Dia 22/06/15
Horário : 19 h
Entrada franca
Debate após a exibição

domingo, 7 de junho de 2015

"NO MUNDO DE 2020" NO CC ALEXANDRINO MOREIRA



CINECLUBE DA ACCPA APRESENTA
"No Mundo de 2020" (1973)
Direção : Richard Fleischer
Com Charlton Heston, Edward G. Robinson
Sinopse : Em 2022 a face da Terra está bem modificada. Em Nova York há 40 milhões de habitantes e o efeito estufa aumentou muito a temperatura, deixando o calor ficar quase insuportável. Somente os ricos e poderosos têm acesso a comidas raras, como carnes, frutas e legumes. Quando um empresário das indústrias Soylent é assassinado em seu luxuoso apartamento, o detetive Robert Thorn é designado para investigar o caso.

Local : Cineclube Alexandrino Moreira (Casa das Artes)
Dia : 08/06/15
Horário : 19 h
Debate após a exibição
Coordenação do debate : Marco Antonio Moreira

A ARTE DE SAMUEL FULLER




A ARTE DE SAMUEL FULLER
A Arte de Samuel Fuller” é um dos grandes lançamentos em DVD do ano, O digistack com 2 DVDs reúne quatro obras de Samuel Fuller (1912-1997) incluindo versões restauradas de “O Beijo Amargo”' e “Paixões que Alucinam”. Nos extras, um documentário sobre o diretor, com depoimentos de Tim Robbins, Jim Jarmusch, Martin Scorsese e Quentin Tarantino. “O Beijo Amargo” foi realizado em 1964 e tem no elenco Constance Towers. O filme mostra a história de uma mulher que resolve mudar de vida e vai trabalhar como enfermeira de um hospital infantil numa cidadezinha. Mas, logo descobre que a perfeição e tranqüilidade do lugar escondem um mundo hipócrita e mesquinho que não tem limites. Grande roteiro e direção num filme fundamental para o cinema norte-americano dos anos 1960. “'O Quimono Escarlate” foi produzido em 1959. Dois amigos, veteranos da Guerra da Coréia, trabalham juntos como detetives e estão encarregados de resolver o assassinato de uma dançarina. Mas durante a investigação se apaixonam por uma misteriosa mulher. “Paixões que Alucinam” é uma de suas obras-primas. Realizado em 1963, o filme mostra a ambição de um respeitado jornalista que se compromete a resolver um assassinato cometido num hospício. Para tanto, ele se interna como louco na própria instituição, mas lentamente vai se envolvendo com a loucura dos pacientes e perde o controle. Uma obra-prima repleta de metáforas políticas, sociais e raciais. “Casa de Bambu” foi dirigido em 1955 e tem no elenco Robert Ryan e Robert Stack. No Japão, ex-soldados americanos integram uma gangue violenta envolvida em assassinatos, jogos e assaltos. A morte de um sargento estadunidense coloca a polícia do exército americano no caso e, assim, um militar se infiltra na quadrilha. Samuel Fuller era um subversivo no cinema norte-americano. Sua obra foi esteticamente provocante e os temas de seus filmes eram polêmicos, fugindo do “american way of life” que reagia aos seus trabalhos pela sua coragem em tratar temas intocáveis como racismo. Filho de imigrantes judeus, seus pais alteraram o sobrenome da família de Rabinovitch para Fuller. Aos 17 anos já era repórter policial em Nova Iorque. Serviu no Exército dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, chegando a ser codecorado. Estreou na direção em “Matei Jesse James” de 1949. Muitas vezes, Fuller teve problemas com a produção de seus filmes por querer uma independência raramente permitida nos padrões de Hollywood. No final de sua carreira, dirigiu o excelente “Cão Branco”(1981) com tema racial, baseado em romance de Romain Gary, porém o estúdio Paramount não o lançou. Após o ocorrido, passou a residir na França, falecendo em outubro de 1997. Sua obra merece ser conhecida e debatida por aqueles que gostam de estudar o cinema.(Marco Antonio Moreira)

THOMAS EDISON E ANGELA DAVIS EM DVD



THOMAS EDISON E ANGELA DAVIS EM DVD
 Dois lançamentos em DVD merecem total atenção do cinéfilo. O primeiro é “Edison: A Invenção dos Filmes”, coleção em quatro dvds com cento e quarenta filmes arquivados de uma das figuras mais influentes da história do cinema. Em 1894, Edison era o único produtor de cinema do mundo e suas contribuições para a história do cinema merecem ser evidenciadas após trinta anos de trabalhos e investimento. Em breve, será produzido um filme sobre a sua vida que deverá divulgar seu nome e sua obra. Na coleção, excelente material para estudo: dos testes de câmera nunca lançados no século XIX até o último longa-metragem lançado pela Thomas A. Edison Studios em 1918 (O Descrente), novas trilhas sonoras, documentos históricos e entrevistas com arquivistas e historiadores do cinema, entrevistas com arquivistas e estudantes de cinema: e muito mais.
Outro lançamento é o documentário “Libertem Angela Davis” que mostra a vida da professora universitária Angela Davis, e como seu ativismo social implicou na fracassada tentativa de sequestro que terminou em troca de tiros e quatro mortos. Seu nome esteve na lista dos dez mais procurados do FBI nos anos 70, tornando-se a mulher mais procurada dos EUA e símbolo de luta pelos direitos dos negros e das mulheres. Ângela Davis foi uma figura política importante que chamou atenção da mídia e nomes como John Lennon que fez uma música em sua homenagem em 1972. Com muitas imagens históricas, “Libertem Ângela Davis” revela a politização de grande parte dos jovens americanos dos anos 70 e provoca ricas discussões. O filme é uma co-produção Estados Unidos e França e levou oito anos para ser finalizado. Participou da competição oficial dos festivais de Toronto, Londres e Estocolmo. Imperdível! (Marco Antonio Moreira)

Arquivo do blog