segunda-feira, 3 de agosto de 2015

MEXICANOS

A morte de Ninon Sevilla, aos 85, leva-me a lembrar como o cinema mexicano era querido em Belém. No tempo(1948) em que o Olimpia exibia um filme por 4 dias ele permaneceu 2 semanas em cartaz. A empresa Cardoso & Lopes, dona dos cinemas Modeno, Independencia e Vitoria, colocava em seu anuncio uma frase para atentar os críticos(que normalmente desprezavam as melodramas mexicano): “Dura lex, sed lex, filme bom é da Pelmex.” Pelmex era a distribuidora máxima dos filmes desse pais. De inicio exibiam nas salas de Severiano Ribeiro(Olimpia, Iracema, Guarani,Popular,Iris...). Depois é que passaram para a exibidora concorrente. Mesmo assim, Ribeiro lençava os mexicanos que chegavam pelam Columbia Pictures. O caso de “Pecadora” e de “Palavras de Mulher” além das comédias de Cantinflas. A moda mexicana era alta. Os homens usavam bigodinho e ainda cabelos alisados com laqué. As mulheres vestiam colantes que realçasse a bunda. E se pintavam em excesso. Os boleros minavam as emissoras de radio e gravadoras de discos de cera(antes do LP). Por sinal que cada filme vinha de um bolero. Augustin Lara era um ídolo. Feio como um Dracula sem caninos altos, compunha sua paixão pela bela companheira que o deixou: Maria Feliz. Ela era a Maria Bonita que lhe lembrava Acapulco. E a praia mexicana deu até em hit versado com Emilinha Borba(“Acapulco”), sucesso de venda nas fonotecas. Eu sempre rejeitei os dramalhões mexicanos. Mas vi todos. Tinha Libertad Lamarque em “A Louca”(La Loca) como tinha rumbeiras do tipo Ninon e especializadas em papeis de prostitutas como Emilia Guiu. Engraçado é que a maioria dos filmes era “impropria até 18 anos”. Eu só vi “Pecadora” em DVD através do colecionador Paulo Tardin. Fiquei espantado quando vi o conjunto brasileiro Anjos do Inferno cantando a embolada “ 4 e 400”. O normal era a mocinha (ou putinha) morrer tuberculosa. Quando tossia era sinal de que o filme estava perto do fim. Ninon Sevilla quis levar de Belém um amigo que imitava o Cantinflas. Ele não quis segui-la. Como Cantinflas não quis que seus filmes fossem distribuídos pela Pelmex. Ganhou Globo de Ouro por “A Volta ao Mundo em 80 Dias” mas não foi muito feliz com Hollywood:seu filme posterior, “Pepe”, deu prejuízo. Hoje os mexicanos batem os grandes norte-americanos. Iñarritu e Cuarón que o digam (Pedro Veriano)

PROGRAMAÇÃO - CINECLUBE DA ACCPA - AGOSTO/2015

PROGRAMAÇÃO - CINECLUBE DA ACCPA - AGOSTO/2015 



Cineclube Alexandrino Moreira - Casa das Artes - 19 h 
Dia 03 - "Ao Mestre com Carinho" (1967) com Sidney Poitier 
Dia 17 - "O Processo do Desejo"(1991) de Marco Bellocchio (Parceria com GEPEM)



Cine Líbero Luxardo - Sessão Cult - 15 h 
Dia 08 - "2001 : Uma Odisseia no Espaço"(1968) de Stanley Kubrick
Dia 22 - "Cidadão Kane"(1941) de Orson Welles



Cineclube da UEPA - 16 h 
Dia 20 - "Clube de Compras Dallas"



Cineclube da Casa da Linguagem - 18 h 
Dia 27 - "O Incrível Homem quem Encolheu"(1957) de Jack Arnold
(Parceria com a Academia Paraense de Ciências)



Cine FIBRA - 19 h 
Dia 22 - "O Carteiro e o Poeta"(1994)

* Entrada Franca * Debate após a exibição * Programação sujeita a alterações

sábado, 20 de junho de 2015

O CINEMA EM CASA



Sempre fui contra a deturpação de filmes, seja a colorização seja a dublagem. Hoje a dublagem virou moda. Na Europa isto é comum. Mas lá existe espaços para cópias originais. Aqui é um saco de gatos. E os filmes que eu quero ver (felizmente são poucos) chegam com falas estranhas e espero que cheguem para download ou dvd & bluray. Nos idos de 50, por exemplo, eu ia a cinema mais vezes que os dias do ano. Não havia TV e o recurso do cinemaniaco (é o nome, não apenas cinéfilo) era buscar seu vicio nas telas grandes. Via de tudo. Quando comecei a ler sobre cinema encontrei apenas a técnica. Historia já tinha provado. E como passava filmes (película 16mm)em casa, conhecia o que se filmou antes de meu tempo de vida. Este ano, 2015, ainda não fui 50 vezes a cinema.
Queria ver, por exemplo, “A Espiã que Sabia de Menos”. Mas a dublagem dominou as sessões da tarde. E não vou às da noite por vários motivos.
Bem, do que vi só gostei de “Mad Max” o novo filme da franquia. Gostei pela edição vertiginosa. Planos ligeiros e próximos desfilaram com velocidade. No meu cinema caseiro tenho contato com as mostras europeias das salas especiais. O futebol esteve em “Diamantes Negros” e “O Sol Em Mim”. O primeiro não biografa o brasileiro Leônidas da Silva(apelidado de “Diamante Negro”). Trata de dois africanos que tentam futebol profissional na Espanha e ganham a dor da experiência. Um regressa à terra natal, outro chega a ser preso antes de voltar a um campo. Bom tratamento de um diretor espanhol. O outro filme focaliza dois garotos, um africano e um italiano que também querem jogar futebol com adultos. Ambos percebem que é muito cedo para isso. Voltam a pé para casa. Paralelamente mostra-se a agonia de dois africanos que se metem no bagageiro de um avião e encontram a morte. Caso real.O filme não consegue convencer mas prega um toque humano extremamente valido. Hoje isso é raro.
 “O Amante da Rainha “é o cinema dinamarquês sem Lars Von Triers”. Prefiro o cinema longe desse diretor que acho um rebelde sem causa. Boa narração conta um episódio histórico digno dos livros de Max Du Veuzit ou Michel Zevaco. Boa direção de arte e pelo menos um excelente desempenho(de Mikell Boe Folsgaard) vela e melhor expectativa. Vi ainda “Samba” com o ator e o diretor de “Intocáveis” Omar Sy e Olivier Nakache, que não sambou como aquele filme. Mas consegue que se o acompanhe com interesse dado o emprenho do elenco na historia de um imigrante ilegal na França. A exibição foi na mostra Varilux.(Pedro Veriano)

"VAMPIROS DE ALMAS" EM BLU-RAY


Foi lançado em Blu-ray o filme “Vampiros de Almas”(Invasion of Body Snatchers)de Don Siegel, um dos marcos da ficção-cientifica dos anos 50/60. Em caixa atrativa o lançamento contou com o bônus de um dvd com dois filmes pouco conhecidos: “O Invasor Galactico”e “Eles Vieram do Espaço Sideral”. O segundo, da Amicus, empresa inglesa rival da Hammer em filmes de terror, tinha Freddie Francis na fotografia e direção – o que exprimia certa qualidade. Mas o primeiro, de um senhor chamado Don Dohler, me fez rir como poucas comédias. Imaginem um campo-e-contra-campo com uma só câmera pesada. Imaginem atores amadores exigindo posturas trágicas. Imaginem efeitos especiais de apenas luzes e alguma animação.
Mas tudo isso é pinto para a permitividade da narrativa, uma das muitas historias de ets chegados em campos com más intenções e posturas de animais. Um desse ets ganharia em escola de samba. O filme é hilário da primeira a ultima sequencia.Pensei em nos, amadores da época em que ele foi feito. Filmávamos em 16mm ou Super 8mm com filme positivo e edição na marra. E dava certo. Faziamos o que nos era possível fazer. Hoje, comparando com essa coisa, fiquei orgulhoso de meu passado de câmera na mão. Pelo menos quando podia fazer rir não era para gargalhadas continuas. A comédia era outra. (Pedro Veriano)

"MAD MAX"



O norte-americano chama "machine gun cut" a edição de filme repleta de planos próximos e de rápida apresentação na tela. Uma metralhadora de imagens. Em "Mad Max Estrada da Furia" há disso.Muito disso. São quase duas horas de planos diversos que passam correndo, uns sobre os outros, detalhando uma viagem pelo deserto australiano de mocinha perseguida por bandidos. Ela ganha o nome de Furiosa, e é um adjetivo a mais para Charlize Theron, atriz que no inicio de carreira viveu uma mineira (não nascida no Brasil mas uma empregada no embrutecido meio de mineiros do norte dos EUA) no "Terra Fria" de Nick Caro. Ali a moça era conhecida por Monstro. Aqui, numa corrida australiana, por Furiosa. Se ela for fazer uma de nossas neochanchadas saiam da frente.
O filme dirigido pelo sessentão George Miller é um moto-continuo e se salienta por isso. Vendo-o em 3D sente-se pedaços dos carros voando por sobre as cabeças dos espectadores, O fino para cinema-espetáculo. Mas, felizmente, deixa se pensar em substancia. Não só o poder feminino (mulher dá leite e criança para os neo-trogloditas do futuro) . Pugna-se pela luta por espaços adquiridos e o herói se mistura na multidão quando podia ser ovacionado. Populismo mais aberto, sem frescuras de panfletos pretéritos.Vale espiar.(Pedro Veriano)

"O BALÃO BRANCO" NO CC ALEXANDRINO MOREIRA

CINECLUBE DA ACCPA APRESENTA :


"O Balão Branco"(1995) 
Direção:Jafar Panahi
Sinopse : Razieh é uma garotinha de sete anos que insiste que sua mãe lhe compre um outro peixinho dourado para a celebração do ano-novo iraniano. Apesar de a família estar sem dinheiro, Razieh acaba conseguindo a quantia para comprar o peixinho com a ajuda de seu irmão. Só que a caminho da loja, ela perde o dinheiro duas vezes, e então os dois irmãos não medem esforços para recuperá-lo, saindo pelas ruas de Teerã. Sessão às 19h. Entrada franca e debate após a exibição.

Local : Cineclube Alexandrino Moreira (Casa das Artes)
Data : Dia 22/06/15
Horário : 19 h
Entrada franca
Debate após a exibição

domingo, 7 de junho de 2015

"NO MUNDO DE 2020" NO CC ALEXANDRINO MOREIRA



CINECLUBE DA ACCPA APRESENTA
"No Mundo de 2020" (1973)
Direção : Richard Fleischer
Com Charlton Heston, Edward G. Robinson
Sinopse : Em 2022 a face da Terra está bem modificada. Em Nova York há 40 milhões de habitantes e o efeito estufa aumentou muito a temperatura, deixando o calor ficar quase insuportável. Somente os ricos e poderosos têm acesso a comidas raras, como carnes, frutas e legumes. Quando um empresário das indústrias Soylent é assassinado em seu luxuoso apartamento, o detetive Robert Thorn é designado para investigar o caso.

Local : Cineclube Alexandrino Moreira (Casa das Artes)
Dia : 08/06/15
Horário : 19 h
Debate após a exibição
Coordenação do debate : Marco Antonio Moreira

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